CONFIDENCIAL
BRF-2026-05-04
IZZI

Para

Jorge

Diretor · Qualitin Soluções em Gestão

De: Alexandre Mota · KITEBIZ

Data: 04/05/2026

K KITEBIZ

Análise interativa

RPPA · Izzi

Primeira camada

Confidencial Telecom · México

Tese em uma linha

O programa RPPA opera há 21 meses, mas algo estrutural mudou em jul-set/2024 — e nunca foi corrigido.

Olá Jorge,

Recebi acesso aos datasets operacionais da Izzi (550 mil ordens de serviço, 21 meses, 548 técnicos) e fiz uma análise descritiva de primeira camada. Abaixo, os 4 padrões mais relevantes que apareceram, com explicação do que significam e por que importam.

Após a análise narrada, o dashboard interativo está embutido pra você explorar os números diretamente.

CONFIDENCIAL
1

Reincidência subiu 89% em 3 meses · não voltou

Crítico

Reincidência = OS que o cliente abre, é atendida, e o cliente abre OUTRA OS pelo mesmo problema dentro de uma janela. Métrica-chave de qualidade de atendimento em telecom.

Patamar histórico

3,35%

Jan-Jun/2024 · estável

PICO

6,33%

Set/2024 · +89% em 3 meses

Hoje

~5%

2025 estabilizado · 50% acima do histórico

O que isso significa

Antes, ~3,5 em cada 100 OS voltavam pelo mesmo problema. Hoje ~5 em cada 100 voltam — aumento de 50% no volume de retornos. Em números absolutos: cerca de 5 mil OS adicionais por ano voltando que antes seriam resolvidas na primeira visita (estimativa conservadora baseada no patamar atual de ~5% sobre volume anual de ~314 mil OS). Custo operacional, capacidade ocupada com retrabalho, insatisfação do cliente final.

Por que isso importa pra Qualitin

O programa RPPA é da Qualitin. Os dados cobrem 21 meses de operação. A degradação aconteceu DURANTE essa janela e não foi revertida nos 12 meses subsequentes ao pico. A pergunta natural é: o programa detectou à época? houve plano que não funcionou? ou a métrica não estava sendo monitorada com a granularidade necessária?

CONFIDENCIAL
2

97% das reincidências classificadas como "Sin motivo solución"

Cosmética cultural

Quando uma OS retorna com problema, o técnico classifica o motivo da segunda intervenção. Em 97% dos casos a categoria escolhida é "Sin motivo solución" — categoria genérica que não classifica causa.

1ª intervenção (TC1) Reincidências % "Sin Motivo" no retorno
T228 Reemplazo Eq EMTA4.64597,5%
T226 Reemplazo Eq Video2.67197,9%
"Después de revisar, no hay falla"1.90698,2%
"Se canaliza Mtto Red"1.78598,2%
Cambio de eliminador1.21397,4%
… padrão se repete em todas as 15 categorias top

O que isso significa

Quando o técnico volta na casa do cliente pela segunda vez, ele preenche um campo dizendo o motivo. Esse campo deveria classificar a causa real (problema de equipamento, problema de rede, falha de instalação anterior, etc). Em vez disso, em quase 100% dos casos ele marca uma categoria genérica que não diz nada. Sistema aceita sem questionar.

Por que isso importa

Sem classificação causal, análise de causa-raiz é impossível. A Izzi não tem como saber qual é o problema real que está fazendo OS voltarem — porque os 26 mil registros de retorno todos dizem "não foi identificado". É como se um hospital recebesse paciente que volta com a mesma dor e o médico, no segundo atendimento, anotasse "sin motivo".

CONFIDENCIAL
3

Variação 3× entre técnicos · gap não foi nivelado

Operacional

Analisando os 548 técnicos com pelo menos 100 OS executadas:

Quartil melhor (137 técnicos)

2,4%

reincidência média

Quartil pior (137 técnicos)

7,1%

reincidência média

O que isso significa

Nos 25% melhores técnicos, apenas 1 OS retorna a cada 42 atendimentos. Nos 25% piores, 1 a cada 14. Diferença de 3× na taxa de retrabalho entre os melhores e os piores. Variabilidade grande pra um programa de gestão que opera há 21 meses.

Por que isso importa

Programa RPPA, conceitualmente, deveria identificar e replicar as práticas dos melhores técnicos pra elevar o piso. Razão 3× depois de 21 meses indica que essa replicação ou não está acontecendo, ou não está chegando aos piores. Espaço evidente de evolução.

CONFIDENCIAL
4

Sureste tem 77% mais reincidência que Centro

Geográfico

Por sub-região operativa, em 2024-2025:

SURESTE — pior performance 6,66% · 50.800 OS
3.381 retornos
MXSUR — maior volume 4,94% · 361.255 OS
17.840 retornos
MXCENTRO — benchmark 3,76% · 138.247 OS
5.195 retornos

O que isso significa

Não é um problema disperso — é geograficamente concentrado. Sureste, com volume relativamente baixo (9% das OS), concentra reincidência 77% maior que MXCentro. Ou existe problema de capacidade técnica regional, ou de qualidade da infraestrutura física, ou de processo local — e essa diferença persiste ao longo dos 21 meses.

Por que isso importa

MXCentro é benchmark interno da própria Izzi. Algo lá funciona melhor. Identificar o que (e replicar pro Sureste) é trabalho clássico de programa de gestão — mas exige análise comparativa que não fica visível em painéis de média agregada.

Síntese

A Izzi tem dados ricos, programa RPPA estabelecido e 21 meses de história. Mas o que aparece quando se cruza os números: degradação invisível em 2024, classificação genérica que esvazia análise de causa-raiz, gap entre técnicos não nivelado, e desigualdade regional persistente.

Nenhum desses 4 padrões depende de inferência causal nova — todos são contagens diretas reproduzíveis em SQL. Mas os 4 juntos descrevem uma operação que, na primeira camada da análise, parece estar rodando o ritual sem retroalimentar a operação.

Dashboard interativo

Explore os números diretamente — gráficos, filtros, modais explicativos

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CONFIDENCIAL

O que esta camada NÃO responde — pra ir além exige análise multi-dimensional

  • O que aconteceu jul-set/2024 que disparou a subida de 89% — exige cruzamento com eventos internos, calendário operacional, mudanças de processo, dados externos
  • Quais coordenadores/supervisores estão por trás dos 7,1% do quartil pior — exige cross do RH (552 registros) com dados granulares de OS
  • Causa-raiz dos 97% "Sin motivo" — exige mineração dos 2,4 GB de CSVs Siebel crus
  • Correlação vendas × instalação × reincidência (hipótese: vendas mais rápido que capacidade) — exige Fase 2 dos arquivos de Ventas (~766 MB)
  • Modelagem preditiva de quais regiões/técnicos vão para vermelho — exige análise multi-dimensional + ML supervisionado

Próximo passo proposto

Conversa de 60-90 min pra discutir os 4 achados acima e definir um pilot técnico de 8 semanas pra ir aos CSVs Siebel e responder definitivamente o "por quê do salto de 2024" + identificar especificamente quais técnicos/regiões/equipamentos estão por trás dos 26 mil retornos.

3 perguntas-chave

  1. O programa RPPA detectou a subida de jul-set/2024 à época? Houve plano de ação documentado? Por que não funcionou?
  2. O sistema atual permite ao técnico classificar reincidência como "Sin motivo" sem nenhuma fricção. Vocês veem espaço pra forçar classificação causal?
  3. Existe alguma ação ativa pra reduzir o gap de 3× entre quartis de técnicos? Como funciona hoje?